Se ele abrir a boca, o governo corrupto do PT vai estremecer e pode ruir de vez

Publicado Sunday,30 de March de 2014, matéria sobre BRASIL. Acompanhe mais informações, assine: RSS 2.0. Obrigado por acessar a OSCIP BRASIL. E-mail: oscip@brasil.dx.am

√Āgua era o meu foco. Revisitava o Rio Piracicaba castigado pela seca. No passado fui a algumas reuni√Ķes do Comit√™ de Bacia. J√° havia na √©poca uma preocupa√ß√£o com o futuro do rio, t√£o solicitado: abastece uma regi√£o em crescimento e mais 8,8 milh√Ķes de pessoas em S√£o Paulo.

Lembrei, à beira do Piracicaba, alguns autores no fim do século passado afirmando que a água seria o petróleo do século 21, com potencial de provocar conflitos e até guerras. Mas ao falar no petróleo como algo do passado constatei que está na ordem do dia. Enterraram uma fortuna em Pasadena, no Texas. Outra Pasadena, na Califórnia, é a cidade cenário da sitecom The Big Bang Theory.

Pois é, nossa Pasadena começou com um singular ponto que se expande de forma vertiginosa. Foi uma espécie de Big Bang na consciência dos que ainda duvidavam que a Petrobrás estivesse indo para o buraco nas mãos dos aliados PT e PMDB. Diante dos fatos, vão-se enrolar de novo na Bandeira Nacional, sobretudo num momento de Copa do Mundo, fulgurante de verde e amarelo.

Os cr√≠ticos da Petrobr√°s n√£o s√£o bons brasileiros. Bons s√£o os que se apossaram dela e a fizeram perder R$ 200 bilh√Ķes nestes anos e despencar no ranking das grandes empresas do mundo.

O l√≠der do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que a perda desse dinheiro faz parte do jogo capitalista de perde e ganha. Se fosse numa empresa privada, dificilmente seus diretores resistiriam no cargo. Em Pasadena enterrou-se dinheiro p√ļblico. O que deveria ser mais grave em termos pol√≠ticos.

Pasadena é uma boa versão com sotaque latino para Waterloo. Dilma Rousseff afirma que assinou a compra da refinaria no Texas sem conhecer as cláusulas. Depois disso conheceu. Ela lançou uma nota para explicar o momento em que não sabia. E se esqueceu de explicar todos os anos de silêncio e inação.

Os diretores que teriam omitido as cláusulas que enterram mais de US$ 1 bilhão em Pasadena continuaram no cargo. Até a coisa explodir mesmo. Tenho a impressão de que tentaram sentar-se em cima da refinaria de Pasadena. Sentaram-se numa baioneta, porque não se esconde um negócio desastroso de mais de US$ 1 bilhão.

Os fatos come√ßam a se desdobrar agora que os olhares se voltam para esse ref√ļgio dos nacionalistas, defensores da P√°tria enriquecidos.

Uma empresa holandesa cobrou US$ 17 milh√Ķes da Petrobr√°s por servi√ßos que n√£o constavam do contrato. A primeira parcela da compra em Pasadena foi declarada como US$ 360 milh√Ķes, mas no documento americano ela foi registrada como uma compra de US$ 420 milh√Ķes. Refinarias compradas no Jap√£o t√™m as mesmas cl√°usulas do contrato desastroso de Pasadena.

Um amigo de Bras√≠lia me disse ao telefone: “Se esse Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobr√°s, abrir a boca, a Rep√ļblica vai estremecer”. Conversa de Bras√≠lia. Quantas vezes n√£o se falou o mesmo de Marco Val√©rio?! O que pode trazer revela√ß√Ķes s√£o os computadores, pen drives e documentos encontrados na casa dele. A Pol√≠cia Federal n√£o acreditava que ele iria falar, tanto que o prendeu com o argumento de que estava destruindo provas.

Passa, passa, Pasadena, quero ver passar. A Petrobr√°s da nossa juventude, dos gritos de “o petr√≥leo √© nosso”, se tornou o reduto preferido dos dois grandes partidos que nos governam. O petr√≥leo √© deles, do PT e do PMDB. Levaram o slogan ao p√© da letra e suas pegadas na maior empresa do Pa√≠s demonstram que devoram at√© aquilo que dizem amar.

De certa forma, isso j√° era evidente para mim nas discuss√Ķes dos contratos do pr√©-sal. Eles impuseram uma cl√°usula que obriga a Petrobr√°s a participar de todos os projetos de explora√ß√£o. N√£o deram a chance √† empresa de recusar o que n√£o lhe interessava.

Tudo isso é para fortalecer a Petrobrás, isto é, fortalecer-se com ela, com uma base de grandes negócios, influência eleitoral e, de vez em quando, uma presepada nacionalista, tapas imundos de óleo nas costas uns dos outros, garrafas de champanhe quebradas em cascos de navios.

L√°, no Texas, os magnatas do petr√≥leo usavam aqueles chap√©us de cowboy. L√°, em Pasadena. Aqui, os nossos magnatas em verde e amarelo est√£o com poucas op√ß√Ķes no momento. Ou reconhecem o tremendo fracasso que √© a passagem dos “muy amigos” da Petrobr√°s pela dire√ß√£o da empresa ou se enrolam na Bandeira e acusam todos de estarem querendo vender a Petrobr√°s. Diante das elei√ß√Ķes e da Copa do Mundo, devem optar por uma alternativa mais carnavalesca.

Mas os fatos ainda não são de todo conhecidos. Deverá haver uma intensa guerra de bastidores para que não o sejam, especialmente os documentos nas mãos da Polícia Federal.

Pasadena. Certos nomes me intrigam. O mensalão não seria o que foi se não houvesse esse nome tão popular inventado por Roberto Jefferson, que no passado apresentava programas populares de TV. Pasadena soa como algo esperto, dessas saidinhas em que você vai e volta em cinco minutos, leve e faceiro. Mas pode ser que Pasadena não passe e fique ressoando por muito tempo, como o mensalão. E se tornar uma saidinha para comprar cigarros, dessas sem volta, para nunca mais.

Criada uma comiss√£o no Congresso Nacional, envolvidos Minist√©rio P√ļblico e Pol√≠cia Federal, podem sair informa√ß√Ķes que, somadas √†s de fontes independentes, deem ao Pa√≠s a clara vis√£o do que √© a Petrobr√°s no per√≠odo petista. N√£o tenho esperan√ßa de que depois disso todos se conven√ßam de que a Petrobr√°s foi devastada. Mas ser√° divertido v√™-los brigando com os fatos, com as m√£os empapadas de √≥leo.

Diante do Rio Piracicaba meu foco é a água. Na semana passada, vi como na Venezuela o uso político do petróleo deformou o país. No Brasil o alvo da voracidade aliada é a Petrobrás.

E se a água é o petróleo do século 21, daqui a pouco vão descobri-la, quando vierem lavar as mãos nas margens dos nossos rios.

*Fernando Gabeira é jornalista. Publicado no Estado de S.Paulo.

Não acredite no que ler ou ouvir neste site. Tire suas próprias conclusões.

ASSUNTOS recém-publicados

OUTROS ASSUNTOS

ÔĽŅ

Seja bem-vindo ao nosso site!

Seja bem-vindo ao nosso site!

Aqui voc√™ encontrar√° assuntos relevantes de jornalistas independentes sobre temas do Mundo, Brasil, Pol√≠tica, Meio Ambiente, Distrito Federal e Cidadania. Em destaque o Apresentador do Programa Opera√ß√£o de Risco da RedeTV, Jorge Lordello, que h√° 11 anos √© refer√™ncia na televis√£o brasileira, onde √© conhecido como "Doutor Seguran√ßa", acumulando cerca de 4500 horas de participa√ß√Ķes em programas ao vivo onde fala sobre a preven√ß√£o a criminalidade. Lordello tamb√©m √© Delegado e Especialista em Seguran√ßa. Confira as dicas do Doutor Seguran√ßa.

OSCIP BRASIL 2008-2014 ¬© Alguns direitos reservados ‚ÄĘ caixa postal 10810 Bras√≠lia/DF ‚ÄĘ oscip@oscipbrasil.org.br ‚ÄĘ [61] 4141-6181 ‚ÄĘ @oscipbrasil