Se candidata talvez não se reeleja, se alijada da disputa, PT alijado do planalto

Publicado terça-feira,30 de julho de 2013, matéria sobre POLÍTICA. Acompanhe mais informações, assine: RSS 2.0. Obrigado por acessar a OSCIP BRASIL. E-mail: oscip@brasil.dx.am

Dilma disse à Folha de S. Paulo: “Lula não vai voltar porque não saiu”. Foi em resposta à pergunta sobre se ele voltaria a ser candidato à presidência da República em 2014 quando, a principio, Dilma tentará se reeleger. O que Dilma quis dizer com essa história de “não voltar porque não saiu?” Objetivamente, nada. Apenas fugiu de uma resposta direta, frontal à pergunta. Razoável. Se nem ela sabe o que vai acontecer.

Uma coisa é termos uma presidência compartilhada como temos hoje. Dilma não se sente segura para governar sozinha. Pede conselho a Lula sempre que a infelicidade bate à sua porta. Se não pede, ele oferece por telefone. Ou por meio de ministros e assessores que devem o emprego a ele e não a Dilma. Bem, outra coisa é proceder como Lula quando Dilma substituiu José Dirceu na chefia da Casa Civil.

Para enganar os tolos, Lula passou os dois últimos anos do seu segundo mandato repetindo que Dilma governava tanto quanto ele. E que era melhor gestora do que ele. Ora, Dilma fazia o que Lula mandava. Muitas das sugestões que deu foram acatadas por Lula. Outras, não. Esperto, Lula entregou a gerência do governo a Dilma para governar à vontade. Não se governa sem fazer política. Muito menos se governa centralizando tudo.

Lula teve melhor equipe do que Dilma tem. Embora soubesse lidar com políticos, cercou-se de gente que também sabia.Os bons ventos sopraram a economia enquanto governou. Por hábil e carismático, levou no gogó a maioria dos brasileiros sempre que se viu em aperto. Depois de consultar amigos, concordou que não valeria a pena batalhar pelo terceiro mandato consecutivo. Deu um tempo. Chamou Dilma. Espera reciprocidade.

Há condições para que a reciprocidade se consuma. Mas Dilma está obrigada antes a reagir. Sua popularidade não poderá continuar caindo. Falta mais de um ano para a próxima eleição. Se Dilma chegar feito um trapo em março não parecerá natural que anunciem para deleite certo do distinto público: “Senhoras e senhores, o candidato do PT e de nove entre 10 partidos à presidência da República será… Luiz Inácio Lula da Silva”.

Que brincadeira é essa? A melhor gestora do governo Lula teria fracassado ao se tornar gestora do seu próprio governo? Ou simplesmente Lula mentiu ao imputar-lhe a falsa condição de melhor gestora? Lula pensa que é assim? Que o povo é bobo e jogará a culpa na Rede Globo? Que o país engolirá a desculpa de que o mau desempenho de Dilma surpreendeu até ele mesmo? Mas que uma vez de volta ele haverá de correr atrás do tempo perdido?

O eventual retorno de Lula passará pela reabilitação de Dilma. A permanência do PT no poder passará pela reabilitação de Dilma. Se candidata outra vez, ela talvez não se reeleja. Mas se for alijada da disputa presidencial para evitar uma derrota é quase seguro que o PT acabará alijado do Palácio do Planalto. Sem arrogância alguma, aceitam-se apostas. Cartas à redação. Ou: e-mails. Como preferirem.

‘Salvem Dilma!’, por Ricardo Noblat. Publicado no Globo.

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